O pastor e deputado federal Marco Feliciano gastou R$ 157 mil da Câmara — ou seja, dinheiro público — em tratamento odontológico.
É uma fortuna mal explicada.
Feliciano justificou com o papo de que sofria de dores crônicas de bruxismo, o hábito de ranger os dentes no sono.
“Não desejo para ninguém”, afirmou o pobre coitado, verdadeira vítima da fisiologia.
“Minha boca é minha ferramenta”.
É a sua também, a minha, a do seu vizinho, da sua sogra e do seu tio.
A Casa tem um acordo com a Caixa Econômica Federal que dá aos deputados o direito de ser reembolsados no valor de R$ 50 mil para procedimentos médicos.
Após ter seu primeiro pedido rejeitado, MF apresentou um laudo “provando” que o procedimento realmente custou aquela bala.
Há uma questão moral gritante que passa pelas cenas dantescas em hospitais enquanto o homem de Deus gasta uma fábula para dar um tapa no teclado.
Feliciano é um moralista de ocasião, como se sabe.
Dentista não é barato.
Mas o rapaz caprichou.
Em casos graves de bruxismo, como ele dá a entender que seja o seu, os dentes ficam praticamente destruídos.
Ou Feliciano usa uma prótese, ou o que ele tem não é tão grave assim.
O tratamento custa, em média, de R$ 1000 a R$ 7000. “Depende se precisa de desgaste seletivo ou aparelhos”, afirma uma especialista ouvida pelo DCM.
O cidadão pode passar a dormir com uma placa.
O preço médio de uma de acrílico é R$ 500,00. A de silicone sai por R$ 250,00.
Como ele chegou a mais de 100 mil reais é uma proeza digna de um Tim Tones.
Feliciano tem razão quando conta que usa a boca como ferramenta para várias coisas.
Uma delas, a principal, é enrolar os otários que acreditam nele.