A esquerda demoniza 2013 e deixa claro, até hoje, não ter entendido nada.
Mas não apenas com 2013. Dois anos depois os secundaristas também deram o mesmo ensinamento. E gratuito, como em toda escola pública. Qual a lição? Ação!
Passeata não resolve nada. É preciso ser efetivo quando se está protestando, quando se quer de fato mudar o status de algo. Passeata é muito bom para quem quer comer churrasquinho e tomar cerveja ou para quem vai utilizar os microfones do caminhão de som e fazer de conta que está sendo atuante, falando com o eleitorado.
É palanque.
Qual a novidade – e sobretudo qual a eficácia – de paralisar a avenida Paulista? Parar a Paulista durante duas ou três horas é tão surpreendente quanto roteiro de novelas de TV. Não é à toa que ganhou o apelido de “esquerda ciranda”.
Nos últimos anos, quais foram as únicas manifestações vitoriosas? As de 2013 e as dos secundaristas. Não foi no amor. Não há outra maneira, sinto muito.
Estamos mesmo revoltados? É inaceitável o que estamosvendo acontecer? Consideramos inadmissível? Então que tal ação?
Vide Hong Kong, para ficar em um único exemplo. Tomaram de assalto o aeroporto. Ficaram lá, travaramtudo. Foi isso o que estudantes fizeram nas escolaspúblicas por aqui entre 2015 e 2016.
O presidente da UNE afirma que “não iremos sair das ruas”, e chama o próximo ato para setembro? É isso é o que ele chama de não sair das ruas? Um ato em abril,outro em junho, depois agosto e
Um ato a cada quase dois meses bota pressão em algum governo?
“Ãin, Mauro, ação direta é antidemocrático, não é assim que se faz, é preciso conscientizar politicamente o povo”. Consciência política se faz de outra forma e em outro contexto. Faz-se na escola, faz-se em casa, faz-se no trem,faz-se até mesmo em atitudes como a do Corinthians de Sócrates nos anos 80 e o movimento Democracia. Isso cria consciência.
Protesto é outra coisa. É urgente.
Passeata a cada 45 dias fará cócegas no governo biroliro e ele atravessará os 4 anos de mandato com a moto-serra ligada nos mais variados setores sem ser importunado, sem ser freado.
Ficar assistindo passivamente a um ditadorzinho patético fazer o país retroceder em 44 indicadores (quarenta e quatro!!) em apenas 6 meses é muito para minha cabeça. Situações extremas pedem medidas extremas.
Desmontes em educação e meio ambiente levam décadas para serem sanados.
Apostar que Bolsonaro irá morrer pela própria língua e adotar a postura “deixa como está para ver como é que fica” é arriscado demais.