A ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva, fundadora da Rede, deixa as portas abertas e pode se reaproximar do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Isso ficou explícito em uma entrevista para Camila Zarur do jornal O Globo. Marina fala em “defesa da civilização”.
Diz ela: “Fica essa história, como se eu fosse uma mulher rancorosa que não sabe separar os grandes desafios postos no Brasil. Eu estou disposta a conversar no campo da democracia”.
A ex-ministra então pontua: “Da minha parte, não tenho nada pessoalmente contra o Lula. São questões concretas, de natureza objetiva e que podem sim ser conversadas”.
Marina também faz uma autocrítica: “As eleições brasileiras historicamente são marcadas pela polarização. Derrotar Bolsonaro é um imperativo ético, um ato de legítima defesa da civilização, da democracia e do respeito à dignidade humana. Mas não se trata apenas de derrotar Bolsonaro. É fundamental também derrotar o bolsonarismo. Em 2018, muitos, inclusive eu, subestimamos Bolsonaro”.
“Depois que eu saí do PT, tive a oportunidade de dialogar com o ex-presidente Lula nas circunstâncias em que me referi anteriormente, algumas delas muito dolorosas. Com o ex-ministro Ciro Gomes, criamos uma relação de proximidade que se estende até hoje.
Há uma divergência, sim, e eu a manifestei claramente quando João Santana passou a fazer parte do processo político. Mas, obviamente, essa é uma escolha do PDT e do ex-ministro Ciro Gomes. E eu só tenho a divergência com o fato de João Santana ter sido a pessoa que, na campanha da Dilma, enxertou o ódio, a polarização e a mentira como estratégia de se chegar ao governo. Mas eu não reduzo o Ciro Gomes ao João Santana”, diz Marina sobre suas diferenças com Ciro.
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E o clima dentro da Rede de Marina Silva com Lula?
“Ainda não existiu nenhuma discussão dentro da Rede, colocando esse ou aquele nome de candidato. O que acontece é que existem pessoas muito relevantes do nosso partido que têm uma simpatia pelo Ciro Gomes, enquanto outros têm por Lula.
Estou participando do debate interno e, no momento oportuno, irei me manifestar sobre como participarei das eleições”, pontua ela.