No julgamento pelo plenário do STF ocorrido nesta quarta-feira (7) sobre a abertura de templos religiosos para a realização de cultos, missas e outras celebrações, aconteceram vários lances peculiares.
Dentre eles, destacou-se uma figura carimbada das hostes bolsonaristas, o instrutor de armas e advogado Luiz Gustavo Pereira da Cunha, representando o PTB.
Ao final de sua sustentação oral, dirigindo-se aos ministros do STF, ele recorreu a um versículo bíblico, Lucas 23;34. Do alto de sua soberba, disse: “Então ele ergueu seus olhos para o céu e disse: Pai, perdoa-lhes, pois eles não sabem o que fazem”.
O presidente da Corte não deixou passar tamanha afronta. Luiz Fux, movido por um “sentimento ético e de dignidade”, repudiou a fala e disse que o STF “não se omitiu, mas foi pronto e célere em uma demanda que se iniciou há poucos dias atrás.” E salientou: “Estamos vigilantes na defesa da comunidade”.
Com histórico de ataques ao Supremo, ele é um notório defensor da liberação de armas, talvez sendo essa uma das razões de seu vínculo com a família Bolsonaro.
Mas a família Jefferson também nutre amizade por ele. Cristiane Brasil, filha de Jefferson, quando vereadora do Rio de Janeiro em 2014, propôs um projeto de decreto legislativo (PDL) que lhe concederia o título de cidadão honorário da cidade maravilhosa.
De acordo com a vereadora em seu PDL, “o homenageado possui artigo publicado e participação em diversos seminários e simpósios. Sempre se destacou pelo seu comprometimento com a ética e pela luta por uma sociedade mais justa.” No entanto, a Câmara Municipal não teve a mesma compreensão e arquivou o projeto.
Jefferson postou no Twitter uma exaltação do advogado como instrutor de tiro de Jair Renan Bolsonaro, o Zero 4.
O que lhe restou foi manter-se sob as asas das famílias Jefferson, no PTB, e Bolsonaro, no stand de tiros. Além, é claro, das redes sociais, onde faz ostensiva propaganda de um STF que respeite a Constituição.
Enquanto isso, nas oportunidades que se lhes apresentam no STF, o nobre advogado age como arguidor medieval, elevando a Bíblia acima da Constituição. Lição, alias, muito praticada pelas famílias com as quais convive.
Nos resta apenas a fé de que quando vencer sua licença de credenciamento de tiro em 14/09/2022, os ares do país sejam outros e ele não a tenha renovada.