Integrantes do centrão e do governo têm apontado falhas na articulação de Arthur Lira (PP-AL), presidente da Câmara dos Deputados, na escolha de seu sucessor, o que abre espaço para uma influência mais favorável do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na eleição da Casa.
Apesar de a eleição para o comando da Câmara estar marcada apenas para fevereiro, as movimentações políticas já estão em curso, impactando o andamento das pautas no Congresso.
Lira havia prometido anunciar seu candidato até o fim de agosto, porém não cumpriu a promessa, gerando críticas de outros deputados, que afirmam que a promessa não foi devidamente articulada com os líderes, limitando as negociações. Além disso, o descumprimento da promessa desgastou Lira entre seus pares.
Lira sempre defendeu seu direito de conduzir sua sucessão e criticou a antecipação da campanha pelos parlamentares. Sua intenção era construir uma candidatura de consenso, com apoio tanto do PL de Jair Bolsonaro quanto do PT de Lula, mas até o momento isso não se concretizou.
Deputados tanto da base governista quanto do centrão afirmam que Lira está perdendo influência sobre os colegas e seu poder de barganha com o governo diminuiu, conforme informações da Folha de S.Paulo.
Um fator que contribuiu para esse cenário foi a paralisação das emendas determinada pelo STF em agosto, retirando um dos principais trunfos de Lira nas negociações. Sem esses recursos, o governo parece estar em posição de vantagem, na avaliação de alguns parlamentares.
Até mesmo aliados de Lira reconhecem que o governo pode estar favorecendo o prolongamento do processo, já que a discussão sobre a presidência da Câmara avança enquanto o debate sobre a liberação das verbas perde força.
Embora Lula afirme publicamente que não interferirá na disputa, os pré-candidatos e seus aliados passaram a buscar contato direto com o presidente, sem a intermediação de Lira.
O petista, no entanto, tem adotado uma postura cautelosa, evitando se comprometer com qualquer candidatura ou permitir que o PT endosse algum dos postulantes, embora haja uma preferência velada pelo líder do Republicanos, Hugo Motta (PB), que entrou na disputa após a desistência de Marcos Pereira (SP), presidente de seu partido, no início de setembro.
Vale destacar que, além de Motta, outros dois nomes estão no páreo: Elmar Nascimento (União Brasil-BA) e Antonio Brito (PSD-BA). Os dois deputados fizeram um acordo para permanecerem juntos na disputa pela presidência da Câmara.